sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Mapa do Rock in Rio 1985 (RiR 1985)

O primeiro Rock in Rio, realizado de 11 a 20 de janeiro de 1985 no Rio de Janeiro, foi uma aposta cercada de muita expectativa: viriam mesmo os ídolos internacionais a um país do terceiro mundo sem histórico de shows - com raras exceções, como Alice Cooper (1974), Queen (1981) e Van Halen (1983)? A Cidade do Rock, construída exclusivamente para o evento, ficaria pronta a tempo (e funcionaria)? O público compareceria em número suficiente para bancar a realização do festival até o último dia?

Em setembro de 2017, com o início da décima-oitava edição do festival que já foi realizado também em Lisboa, Madri e Las Vegas, essas perguntas podem parecer sem sentido ou até absurdas. Mas na época, eram muito pertinentes; eu mesmo comprei os ingressos, com antecedência, com uma baita desconfiança se ia rolar mesmo e se valeria a pena.

Rolou. E valeu.

Estima-se que nos dez dias de festival, 1,38 milhão de espectadores esteve nos shows. Houve problemas, atrasos, improvisos, falhas, mas a coisa funcionou tão bem, que novas versões do festival foram realizadas a partir de então, e até exportadas; desde o início, era um festival internacional de música, e não um evento de Rock restrito à cidade do Rio - ou seja, pura diversidade, para usar uma palavra muito em voga nestes tempos do vigésimo-primeiro século. O público adorou, os artistas gringos ficaram espantados e maravilhados com aquela galera ensandecida curtindo até as desafinadas que eles davam, e os empresários ficaram encantadíssimos com as possibilidades de novos bons negócios.

Fui nos últimos dois dias de festival; curti muito o Ozzy, e para minha surpresa o show do B-52's foi o mais marcante, foi duca, com muita competência, energia e simpatia! Mas o que mais me lembro do RiR 1985 foi a chuva: o festival foi no Rio, bem no meio do verão, e choveu pra dedéu! Muita, muita chuva. A área para o público, que fora gramada duas semanas antes do evento, logo no primeiro dia começou a soltar as placas de grama e virou um mar de lama, que perdurou até o último dia. Ao final dos shows - principalmente na Noite dos Metaleiros (Whitesnake, Scorpions, Ozzy e AC/DC) - tinha gente tão enlameada, que os poucos táxis que aceitavam levar a galera, cobravam adicional por conta da limpeza que teriam de fazer depois.

E astrologicamente, como foi isso? Vamos ver.



O Ascendente fala da cara do evento; é Câncer (signo de Água), é domicílio da Lua (que também é alma do evento) e exaltação de Júpiter - dois indicadores de águas e de chuva. A Lua, também indicadora de popularidade, está em júbilo (Casa III) e com dignidade de triplicidade (em Virgem); é um astro feminino e noturno, num signo igualmente feminino e noturno. Está disposta por Mercúrio de Casa VII (angular, forte) e faz sextil a Saturno (o Grande Maléfico) e trígono a Júpiter (O Grande Benéfico). Juntando tudo: muita gente, baita sucesso, e vários desencontros que tiveram de ser gerenciados com jeitinho, bom senso, bom humor ou paciência.

O Sol, o espírito (essência) do evento, está acidentalmente forte (Casa VII) e com alguma qualidade (dignidade de face) em Capricórnio, conjunto a Júpiter, disposto e regido por Saturno: aproveite, mas segure o entusiasmo, mantendo os pés no chão (ou na lama), para que a coisa tenha continuidade e prospere.

O Meio do Céu, que é onde chega o evento e deixa a impressão final, está em Áries: energia, vibração, e às vezes até falta de noção. Seu regente, Marte, está em Peixes, na Casa IX (exterior), conjunto à Vênus e ao Lote da Fortuna. Marte está cadente, mas tem triplicidade, em excelente companhia e disposto por Júpiter; o futuro é expandir as fronteiras, e as sete edições em Lisboa, três em Madri e uma em Las Vegas comprovaram isso.

Terminamos o post com uma música da memorável apresentação do Queen no RiR 1985, com o público dando show: Love of My Life (https://youtu.be/Md8eELcugqY).

Gratidão pela companhia, e até o próximo post!

Cao (Claudinèi Dìas)

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Show do Airbourne em São Paulo

O Airbourne é uma banda de hard rock australiana formada em 2003, pelos irmãos Joel O'Keeffe (vocal/guitarra) e Ryan O'Keeffe (bateria) e que além do som, apresenta algumas outras semelhanças com a mais famosa banda daquelas terras, o AC/DC.

Depois de cancelar um show que faria em São Paulo em 2014, desta vez a banda veio mesmo  e fomos conferir sua estréia em terras tupiniquins, às 20:13 da noite de domingo (3/setembro/2017).

Vamos ver o que o mapa do show nos conta:


Eram o dia do Sol (domingo) e a hora do Sol quando o show começou. O Sol também é o espírito (essência) do evento. E este Sol estava peregrino (sem dignidade) em Virgem e na Casa VI (sem contato com o Ascendente, sem dialogar com aquele ponto que representa o evento).

O Ascendente em Áries mostra como foi a cara do show: muita energia, muito entusiasmo, muita animação. Joel interagiu com o público o tempo todo, subiu ao mezzanino para tocar junto de dois meninos, jogou inúmeros copos de cerveja para a plateia, não parou de pular, tocar e agitar a galera.

Marte, regente do Ascendente, a 29° de Leão estava em seus próprios Termos e Face, na Casa V (diversão, lazer/prazer) e mostra que a festa agradava, mas regido por um Sol meio ausente indica que houve descompassos: atrasaram a abertura da casa de espetáculos, o show da banda de abertura e da banda principal, e o som teve problemas de ora estar muito alto e sujo, ora estar com alguns instrumentos mais altos do que outros e do que o vocalista.

Vênus fazia trígono ao Ascentente e estava em seus próprios termos em Leão e em júbilo na Casa V, reforçando a empatia/simpatia entre os roqueiros do palco e os da pista, ainda que em muitos instantes de conversa o público não entendesse o inglês rápido, com sotaque australiano e prejudicado pela qualidade do som do microfone; mesmo assim, sempre respondia-se com um Yeah! animado.

A Lua, alma do show, estava peregrina em Aquário, mas na Casa XI (amizades) e em sextil partil (mesmo grau) ao Ascendente: apesar dos problemas de som, horário, etc., sobrava boa vontade da banda e da plateia - que cantava quase todas as músicas junto. Joel agradeceu, prometeu voltar a São Paulo outras vezes, mas depois de 1h17min de show, terminou a apresentação sem direito a bis - coisa de um Meio do Céu (como termina o evento) em Capricórnio, em quadratura partil ao Ascendente e regido por Saturno em Sagitário: deu a hora, cumpra-se (o protocolo, as regras) e fim de papo.

Foi um bom show, que poderia ter sido melhor. Fica a vontade de ver como será a próxima apresentação dos garotos australianos na capital bandeirante.

Abraços, e até a próxima!

Cao (Claudinèi Dìas)


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Mapa do Mike Patton


Michael Allan Patton deu as caras no mundo em 27/janeiro/1968, na Califórnia. Esse cantor-compositor, multi-instrumentista, produtor e ator, ficou mais conhecido como vocalista da banda Faith No More. Patton também foi o fundador e vocalista da banda experimental Mr Bungle, tocou com Tomahawk, Fântomas, Lovage, The Dillinger Escape Plan e Peeping Tom.

Versátil, criativo, inteligente, inovador, contestador, inquieto, iconoclasta, experimentalista, sem papas na língua, mas muito discreto com sua vida pessoal, Patton é considerado genial por alguns e insano por outros. O fato é: quem ouve suas músicas e vídeos - ora inovadores, ora simplesmente bizarros - não fica indiferente. Vejamos seu mapa natal:

Marte é o almuten (e regente) do Ascendente, além de Senhor da natividade, indicando a motivação principal da vida do nativo: ele está dignificado (Triplicidade) em Peixes, na Casa V, mostrando o foco em sexo (tema constante em suas letras e vídeos) e criatividade/arte (sua extensão produção musical e artística são seus "filhos"). Um exemplo disso é o álbum "Music to make love to your old lady by", com sua banda Lovage.
(https://www.youtube.com/watch?v=x2urNhEsNJs).

A faceta de esquisito, diferente, bizarro e fetichista - além de inteligente - pode ser indicada por Mercúrio (o inteligente e diferente) angular (forte) na Casa IV e dignificado (Triplicidade) em Aquário (o inconvencional). Essa condição recebe o reforço do Sol também ali em Aquário, igualmente angular, mas em exílio e antíscia com o Ascendente em Escorpião.

Alguns críticos consideram Patton até esquizofrênico. Será? O que o mapa dele mostra é que os Luminares chamam a atenção pela dualidade: ambos em debilidade essencial (Sol e Lua em exílio), mas com dignidade acidental (Sol angular e em antíscia com o Ascendente, Lua em júbilo e em antíscia com a Parte da Fortuna).

A Lua, que está em Capricórnio, significadora também do estado psíquico do nativo e das doenças da alma, está em quadratura com Saturno na casa VI (casa das enfermidades) e disposta por ele. Vênus, regente da Casa XII (casa das prisões, aflições, adversidades) e do Lote do Espírito, também está em quadratura com Saturno (mal colocado no mapa: em queda e em casa maléfica).
Essas posições dos planetas prometem que o nativo tem talento para criação e expressão de arte, mas não deve saber lidar bem com ela. E Marte, planeta importante do mapa, está disposto por (e nos Termos de) Júpiter, que está aflito, indicando que as criações devem passar por impedimentos e provas, o que muitas vezes não deve sair como ele havia imaginado. Essa desarmonia e insatisfação podem gerar angústias, isolamento e enfermidades.

O próprio Patton comentou: "...Sei que tudo que falo tem uma tendência a virar 'filho bastardo' e acabar entrando pelas rachaduras. As coisas boas sempre conseguem entrar pelas rachaduras, porque as portas não estão abertas. é minha responsabilidade encontrar essas rachaduras. Por isso criei um selo (Ipepac Records). Queria dar uma lar para outros artistas musicalmente desajustados."

A Lua em júbilo rege a Casa IX (estrangeiro) e a Casa VII (parceiro - por exaltação): Patton casou-se com uma italiana e viveu com ela na Itália, de 1994 a 2001, tornou-se fluente em italiano e também fala espanhol e português - é amigo dos caras do Sepultura e virou até torcedor do Palmeiras, o que aumenta a polêmica sobre ser gênio ou insano. A Lua também indica popularidade, e em antíscia ("conjunção") com a Parte da Fortuna ajuda a entender porque os álbuns de Patton (solo ou no Faith No More) tiveram maior sucesso no exterior do que nos EUA.

Patton e o Faith No More (FNM) ganharam destaque e alcançaram o sucesso no mundo do Rock com o álbum The Real Thing, especialmente com a música Epic. Esse álbum foi lançado em 20/junho/1989, quando Patton estava com 21 anos e a técnica da Profecção indicava Leão (disposto pelo Sol e Casa X do mapa natal) como a Casa I daquele ano: destaque para a carreira. Touro estava como Casa X na Profecção, e Vênus, sua dispositora, estava a 18 graus de Peixes no dia do lançamento, em exaltação e Triplicidade: boa indicação de cenário favorável.
Pela Revolução Solar (RS) dos 21 anos de Patton, a Casa I cai onde está a Parte da Fortuna do mapa natal, indicando a tendência ao sucesso. O Ascendente da RS está em Sagitário, sendo Touro o signo de junho, e ali estavam os regentes do mês: Marte, Júpiter e Parte da Fortuna. As boas indicações de sucesso continuavam...

O estilo musical do FNM é de difícil definição, pois a banda possui influência de diversos estilos. Eles navegam entre o metal, o rock alternativo e funk metal. Muitos dizem que eles foram os precursores do Nü Metal. De fato, a criatividade de Mike o leva para diversos caminhos, que ele consegue explorar muito bem.
A banda sofreu um hiato de 11 anos (de 1998 a 2009) e em 2015 lançaram seu último álbum até o momento, chamado de "Sol Invictus".


Pouco se sabe sobre a vida particular de Patton. Um dos únicos acontecimentos acessíveis é o casamento com a artista italiana Titi Zuccatosta em 1994, e temos estes indicadores astrológicos:
- Com as Direções por Termos, uma técnica da Astrologia Helenística, vemos que o Ascendente dirigido estava a 15 graus de Sagitário, nos termos de Vênus, que se torna o Planeta Distribuidor (Tônica) do período e é o regente da Casa VII - a dos parceiros - (e da Casa XII, também), além de ser significadora natural de relacionamentos.
- O casamento ocorreu aos 26 anos, sendo os Regentes do Ano, Vênus e a Lua.
- O Lote do Casamento, aos 18 graus de Libra, é aspectado por Vênus, Lua e Mercúrio da Revolução Solar.

Poderíamos explorar mais questões do mapa de Mike, mas já foi bastante de Astrologia e agora vamos com mais Rock, então encerramos com Epic (https://www.youtube.com/watch?v=ZG_k5CSYKhg)

Valeu e até o próximo post!

Cao e Ana K.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Mapa do Neil Young

Às 06:45 da manhã de 12 de novembro de 1945, nascia Neil Percy Young em Toronto, Ontário, Canadá. Fãzaço de Elis Presley, ouvia tudo que conseguisse de Rock'N'Roll, Rockabilly, Doo-Wop, Rythm'N'Blues, Country e Pop naqueles anos 1950. Logo começou a tocar sozinho num ukelele de plástico e ainda no colegial (ensino secundário) formou sua primeira banda, The Jades.

Passou a tocar em várias bandas de rock instrumental, firmou-se no Squires, e em 1965 já fazia suas turnês solo pelo Canadá. No ano seguinte, foi com o baixista Bruce Palmer para Los Angeles e ali, junto com Stephen Stills, Richie Furay e Dewey Martin, fundaram o Buffalo Springfield, tocando uma mistura de folk, country, rock e rock psicodélico, apoiada nas guitarras mais pesadas de Young e Stills. O jovem de Toronto começava o trabalho que, seguindo com o Crosby, Stills, Nash,and Young, e depois com o Crazy Horse, ajudaria a definir o Folk Rock e o Country Rock.

O que podemos ver no mapa desse músico, letrista e produtor cinematográfico de sucesso, autor de músicas ora melódicas, ora contundentes, e palavras críticas e corajosas?



O Sol e o Ascendente estão em Escorpião, com seu regente Marte em Leão no alto do céu, em mútua recepção com o Sol em Escorpião: coragem para enfrentar, energia para realizar. Tanto Sol quanto Marte estão angulares (fortes), mas peregrinos (sem dignidade essencial = sem referenciais de força ou qualidade de funcionamento), então pode-se esperar que nem sempre os tiros sonoros de Young fossem no alvo, ou fossem compreendidos. Se ele teve trabalhos que viraram sucessos imediatos, outros levaram anos para serem digeridos, reconhecidos e valorizados.

Mas a Roda (ou Parte, ou Lote) da Fortuna em Leão, junto ao Meio do Céu (carreira, objetivo de vida), também no alto do céu, garante a visibilidade, o reconhecimento e o retorno pelo que faz. Como essa Roda está disposta por aquele Sol forte, porém peregrino, e tem a companhia de Marte, nem sempre a fama e fortuna estão do jeito que Young gostaria.

Júpiter em Libra na Casa XII ilustra bem o que isto quer dizer: esse planeta rege a Casa II (recursos materiais e financeiros) e está numa Casa de perdas, doenças crônicas e dificuldades. Aos 67 anos, Young parou as turnês e escreveu sua autobiografia por 1- receio de não conseguir fazer isso depois por causa de demência (como seu pai teve) e 2- precisava garantir os rendimentos.

Parte dessa necessidade de fluxo de capital pode ser devido aos casamentos e separações: Vênus, dispositora da Casa VII (das Parcerias, inclusive as afetivas) está na cúspide da Casa I (forte), mas em exílio; por exemplo, aos 69 anos, Young encerrou um casamento (e parceria musical) de 36 anos e começou um novo romance.
Ou pode ser também pela dedicação às causas ambientais: Young é ambientalista, luta por pequenos fazendeiros, tem um projeto de carro híbrido, e fundou (com uma ex-esposa) uma escola para crianças com necessidades especiais. A Lua na Casa IV em Aquário, em mútua recepção com Saturno em Câncer na Casa IX, podem explicar essa dedicação ao bem social e ambiental.

Júpiter pode esclarecer outras coisas: Young teve problemas de dependência de álcool e de drogas - prazer (Casa V) em Peixes, disposto por Júpiter (planeta da expansão e do exagero) na Casa XII (Casa dos vícios). A Casa V também é a Casa dos Filhos e a Casa XII, a das doenças crônicas - e Young tem dois filhos com paralisia cerebral e uma filha com epilepsia.

Por fim, Mercúrio - indicador de raciocínio lógico, aprendizado e comunicação - está em Sagitário: em exílio, tende a ser exagerado, ser muito produtivo, mas nem sempre coerente ou compreendido.

Para encerrar esse breve olhar sobre mais um dos grandes caras (literalmente: 1,83m de altura) que ajudou a formar o  Rock como o conhecemos, vamos de My my, hey, hey (Out of the blue) (https://www.youtube.com/watch?v=LQ123T3zD2k&spfreload=5)
e de sua versão com som mais pesado e sujo Hey hey, my my (Into the Black) (https://www.youtube.com/watch?v=0O1v_7T6p8U), com letra típica de Young: enganadoramente simples e ao mesmo tempo profunda, sem meias palavras e também simbólica, e acima de tudo intensa. Conforme prometido por seu Ascendente e Sol em Escorpião e Marte em Leão.

My my, hey hey
Rock and roll is here to stay
It's better to burn out
Than to fade away
My my, hey hey

Out of the blue
and into the black
They give you this
but you pay for that
And once you're gone
you can never come back
When you're out of the blue
and into the black

The king is gone
but he's not forgotten
This is the story
of a Johnny Rotten
It's better to burn out
than it is to rust
The king is gone
but he's not forgotten

Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There's more to the picture
Than meets the eye
Hey hey, my my


My my, hey hey
O Rock veio para ficar
É melhor queimar
do que desbotar
My my, hey hey

Fora do azul

e dentro do preto
Eles te dão isto
mas você paga por aquilo
E depois que você se vai

nunca pode voltar 
Quando você está fora do azul
e dentro do preto

O rei foi embora
mas não foi esquecido
Esta é a história

de um Johnny Rotten

É melhor queimar
do que enferrujar
O rei foi emboramas não foi esquecido

Hey hey, my my
O Rock nunca pode morrer

Há mais na imagem
do que o olho percebe
Hey hey, my my


 Gratidão pela companhia, e até o próximo post!

Cao (Claudinèi Dìas)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mapa do Black Sabbath

Assim como acontece com tantas lendas, também na história do Black Sabbath é difícil separar o que fato e o que é boato, o que aconteceu no mundo real e o que foi construído com os blocos (e as lacunas) da memória e o cimento da imaginação.

Ao (mais ou menos) certo, sabemos que, como os quatro rapazes de Liverpool (fab four) se juntaram pela música para fugir da sina do trabalho massificante e sem grande futuro, e mudaram o Rock'N'Roll, também em Birmingham quatro rapazes da classe operária (dark four?) viram na música a oportunidade de fugir da vida cinzenta das fábricas e viraram referência de uma forte e longeva vertente do Rock: o Heavy Metal.

Quando nasce realmente uma banda de Rock? Quando se juntam pela primeira vez, assinam o primeiro contrato, lançam o primeiro disco, fazem o primeiro show? The answer, my friend, is blowing in the wind. Enquanto não conseguimos traduzir os sons da brisa, vamos aos fatos e boatos: diz a lenda que Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward começaram a tocar juntos em 1967 ou 1968 como Polka Tulk, depois Earth, e finalmente Black Sabbath em 1969, gravando o
primeiro e emblemático álbum Black Sabbath em outubro ou novembro de 1969, em apenas 12 horas.
A data tida como garantida é a do lançamento do álbum: sexta-feira, 13 de fevereiro de 1970. Hora?
Vamos considerar 9:00 (do horário comercial 9 to 5). Local? Londres, pois embora os dark four sejam de Birmingham, era em Londres que as coisas, como lançamento de discos, aconteciam.

Com isto, temos este possível mapa para a banda:



E como vamos analisar o mapa de uma banda?
- O Ascendente fala sobre a cara, a imagem pessoal, e o Meio do Céu indica a imagem pública da banda; o regente de ambos é o expansivo e alegre Júpiter, que no entanto está peregrino (sem
força) em Escorpião, ou seja disposto (mandado) por Marte domiciliado em Áries.
- O Sol fala sobre o espírito da banda: em Aquário, está associado ao novo, diferente e exótico/esquisito: isso condiz com o que foi o surgimento do Heavy Metal. Mas também está em queda e disposto por Saturno em Touro, em recepção mútua com Vênus combusta; os dois estão peregrinos, mas o toque venusino traz um certo charme ao pesado, feio e distorcido Saturno. O Sol também é o poder, é quem manda na banda - e quem manda nesse Sol é Saturno.
- Muita gente associa a imagem da banda à voz das canções, e Ozzy Osbourne foi a primeira voz e cara do Sabbath; coincidência ou não, Ozzy tem o Sol em Sagitário, mesmo signo do Meio do Céu (imagem social) do Sabbath.
- A Lua representa a alma da banda. Lua exaltada em Touro, mas conjunta a Algol (a cabeça da medusa), aquela que degola: pode bem ser o guitarrista Tony Iommi, que com seus riffs inconfundíveis mantém a sonoridade do Sabbath, além de fundador e único membro constante - e praticamente o dono da banda; o mesmo Iommi que nocauteou Ozzy em uma das várias brigas da banda, e que demitiu o Madman em 1979 quando este estava afundado no vício e atrapalhando
a vida do Sabbath.
- Os fãs, que apoiam a banda e dão o retorno financeiro, são a Casa VII: Virgem, regida por Mercúrio em Capricórnio. O dinheiro da banda vem dos fãs (Casa VIII, em Libra, disposta por Vênus disposta e em mútua recepção com Saturno, que se exalta em Libra) e o dinheiro que vem do trabalho é a Casa XI (Capricórnio, disposto por Saturno). Novamente, Saturno é um ponto focal para entender o funcionamento da banda, E o dinheiro que finalmente entra nos bolsos da moçada é a Casa II (Áries, com Marte ali domiciliado): a grana vem forte.

Parece que quando Saturno e Marte vão bem, tudo tende a ir bem no Sabbath. Quando Ozzy saiu (ou foi saído), em abril de 1979, Marte mudou de Peixes (onde tem Triplicidade) para Áries (seu domicílio), reforçando e retomando a pegada da banda que, com Dio nos vocais, emplacou novo disco de platina.
Saturno estava retrógrado em Virgem, ligado ao aumento de exigência e a colocar a casa e as coisas em ordem.
Júpiter, regente do Ascendente e do Meio do Céu - e a quem associamos Ozzy - nessa época estava no último grau de Câncer (onde se exalta) e passou para Leão (onde tem Triplicidade): diminuiu sua força e influência na banda.
A Lua (Iommi), no dia 2 de abril (data referida em alguns fatos/boatos como da demissão de Ozzy) sai de Gêmeos (onde está peregrina) e entra em Câncer (seu domicílio).

Poderíamos continuar a procurar acontecimentos terrenos e posições astrológicas referentes a eles, mas já deu para passar a mensagem: esse mapa tem ressonância com esses fatos conhecidos. Mesmo se esta não for a certidão de nascimento do Sabbath - e provavelmente nunca saberemos exatamente qual ela é, como em toda boa história ou lenda interessante -, ainda assim ela dá conta do recado.

E fechamos este post com o primeiro big-mega-ultra-plus sucesso do Sabbath: Paranoid (https://www.youtube.com/watch?v=0qanF-91aJo). Grato pela companhia, e até a próxima!

Cao (Claudinèi Dìas)


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Mapa do David Coverdale

A 22 de setembro de 1951, em horário não conhecido (ou não divulgado), nasceu David Coverdale em Saltburn-by-the-Sea. Esse inglês de voz potente ganhou fama como vocalista do Deep Purple e consagrou-se ainda mais como fundador, vocalista, líder e dono do Whitesnake.

Sem o horário do nascimento, não podemos determinar quais os signos do Ascendente, do Meio do Céu, nem das outras Casas (áreas da vida) e como analisá-las, mas "apenas" com os signos e planetas é possível ver algumas coisas de seu mapa natal.


Coverdale nasceu numa família de ávidos fãs de música e desde criança queria ser cantor de Rock. Começou a cantar profissionalmente aos catorze anos e não parou mais: apaixonado, dedicado e muito profissional, virou uma das maiores vozes da História do Rock'N'Roll. Ficou conhecido quando substituiu Ian Gillan no Deep Purple, em 1973, e virou definitivamente um reconhecido astro de brilho próprio com sua banda Whitesnake, em 1978.

Olhando o mapa de David, vemos que há dois planetas que se destacam bastante: Saturno (exaltado e com triplicidade, em Libra) e Mercúrio (domiciliado e exaltado em Virgem). Além disso, Coverdale nasceu numa quinta-feira (Thursday, o dia de Saturno) e Mercúrio é o dispositor final (o dono do mapa) e almuten figuris (quem conduz o nativo) do mapa. David começou a cantar profissionalmente com 14 anos (Mercúrio: juventude) e chega agora aos 51 anos de carreira, sempre trabalhando muito (Saturno: longevidade, seriedade e esforço,  está conjunto à estrela fixa Zaniah, o que indica pessoa sóbria, trabalhadora e com influentes amigos mais velhos), desde sua participação em The Skyliners no final dos anos 60, passando pelo Deep Purple, Whitesnake e a parceria com Jimmy Page.

A voz é uma das coisas que mais chamam a atenção em Coverdale. Touro, regente da mandíbula e do pescoço (garganta, traqueia) tem seu dispositor Vênus em Virgem, onde está retrógrado e em queda. Então, como o sujeito tem aquele baita (e belo) vozeirão? A resposta deve ser Mercúrio, que é o dispositor e almuten de Vênus: Mercúrio, domiciliado e em exaltação em Virgem, está à vontade e muito dignificado e segundo Al-Biruni (século XI), é regente da língua (junto com Vênus) e dos órgãos da fala.

Mercúrio também é o dispositor e almuten dos Luminares (Sol em Virgem e Lua em Gêmeos), que são importantíssimos no mapa de qualquer nativo. Al-Biruni descreve Virgem como indicador de "liberal, de bons modos, verdadeiro, bem informado, pio, um juiz, atencioso, vivaz, brincalhão, APRECIADOR DA DANÇA E DA MÚSICA" - e ali em Virgem estão Vênus, Sol e Mercúrio...

Júpiter está em Áries, retrógrado, disposto por Marte e oposto a Saturno: o cuidado que David precisa ter é com o exagero ou negligência. Ao vê-lo em forma com seus sessenta e tantos anos, parece que ele está fazendo a lição de casa. Que ele ainda tenha bastante lenha para queimar: o Rock e os fãs agradecem por continuar a ver e ouvir o rapaz cantar, como aqui em Here I Go Again (https://www.youtube.com/watch?v=DSlSaGcc0QM). Que David vá, de novo, novamente e outra vez, cantar o bom e velho Rock'N'Roll de qualidade, como tem feito há mais de meio século.

Gratidão pela presença e até o próximo post!

Cao (Claudinèi Dìas)





quarta-feira, 13 de julho de 2016

Mapa do Frank Zappa

Quem apenas vê o cabeludo e bigodudo Zappa e ouve Bobby Brown ou Valley Girl, pode achar que ele foi só mais um roqueiro entre tantos que baixaram no planeta Terra a partir de meados do século XX. Mas não é bem assim...

Ao contrário de tantos outros artistas que após o sucesso se cristalizaram num determinado papel ou estilo, o incansável Zappa não parava de experimentar e se reinventar a cada trabalho. E ele trabalhou muito: quando faleceu poucos dias antes de completar 53 anos, devido a um câncer de próstata, em 33 anos de carreira ele tinha produzido 62 álbuns oficiais, além de várias coletâneas, singles, trabalhos diversos e material que rendeu 40 álbuns póstumos, onde Zappa mistura Jazz, Blues, Rythm'N'Blues, Rock, música clássica, música de vanguarda, colagens e experimentações musicais. A palavra que melhor define esse artista americano é: indefinível.

Frank Vincent Zappa veio à luz às 06:22 do dia 21 de dezembro de 1940 em Baltimore, Maryland, EUA. Sobreviveu a uma infância em que estava constantemente doente, cresceu e virou Zappa, o artista prolífico e proficiente, contestador, iconoclasta, satírico, visionário, encrenqueiro e eclético, encarnando a inconformação e rebeldia que caracterizou o surgimento do Rock.

Se Bowie (http://astrologiadorock.blogspot.com.br/2016/01/mapa-do-david-bowie.html) era o Camaleão do Rock, Zappa era o cara que desafiava os rótulos. Vamos ver seu mapa natal, pela Astrologia Tradicional, e o que podemos enxergar ali sobre a trilha sonora da sua passagem pelo mundo.

Seu temperamento era Colérico (Fogo): corajoso, ousado, enfrenta e confronta, contesta. 

O corpo físico e a saúde são indicados pelo Ascendente e por seu regente: Sagitário, regente Júpiter de Casa VI (Casa cadente = fraca, e maléfica = Casa das Doenças), peregrino (sem dignidade) e retrógrado, sem fazer aspecto ao Ascendente: tendência a doenças e baixa vitalidade. O mapa é noturno (6 da manhã no inverno do hemisfério norte), o que era indicativo, para os antigos, de menor vitalidade. Júpiter também é o primeiro regente da Triplicidade do seu Sol, indicando o tom dos primeiros 28 anos de vida, e está na Casa VI: durante toda a sua infância, Zappa estava constantemente doente, com asma, dor de ouvido e sinusite, tendo inclusive recebido tratamento de sinusite com a colocação do elemento radioativo rádio no nariz - na época, não fora estabelecido ainda que mesmo pequenas dosagens de radiação podiam causar câncer...

Júpiter também é o almuten do Ascendente, que indica a motivação da pessoa: Frank Z não admitia restrições à sua liberdade de criação e de expressão, nem à sua forma de viver. Afirma que até tentou consumir maconha, mas não gostou, e assim nem tentou as outras drogas que literalmente faziam a cabeça de tantos outros artistas. Mas era irredutível em relação ao seu trabalho: sempre lutou pelos seus direitos, tendo vários processos contra gravadoras e produtores sempre que se sentiu lesado, impedido ou prejudicado em seu trabalho. Curiosamente, a liberdade que reclamava para si, não costumava dar aos integrantes das suas bandas e aos músicos que trabalhavam com ele: controlava tudo com mão de ferro, para manter seu alto padrão de qualidade.

A Lua na Casa X (forte) em Virgem, peregrina (sem dignidade) e disposta por Mercúrio na Casa I (forte) e em detrimento, indica os padrões emocionais e ajuda a entender essa exigência consigo e com os outros, assim como a entrega ao trabalho de forma quase maníaca.

Mercúrio é o indicador da parte mental e intelectual: está na Casa I (forte!), mas em detrimento em Sagitário: sede por conhecimento, rapidez mental, dispersão por acessar simultaneamente vários pontos de interesse. Z não apenas escrevia e compunha músicas, tocava e inventava sons novos: ele também fez a arte da capa de vários de seus álbuns, produziu vários filmes e vídeos próprios, escreveu e produziu músicas para outros artistas e fez as trilhas sonoras para filmes.

Essa dedicação às atividades artísticas reflete o que promete o Meio do Céu (objetivo de vida, trabalho, carreira) em Libra, regido por Vênus (o Pequeno Benéfico) na Casa I em Sagitário e peregrino.

Saturno (o Grande Maléfico) na Casa VI (maléfica), retrógrado e peregrino, ajuda a entender o porquê de Zappa ter tido altos e baixos em seus ganhos financeiros: além de vários de seus trabalhos (de vanguarda ou experimentais) não eram compreendidos e não darem o esperado retorno financeiro, também houve ocasiões em que as disputas legais com gravadoras e produtores resultou em congelamento dos pagamentos de royalties, deixando Z apenas com a renda dos shows que fizesse - o que o levou a trabalhar mais ainda. Finalmente, depois de algum tempo (Saturno!), os processos terminaram, seus recursos foram liberados e as coisas ficaram mais tranquilas em termos monetários.

Marte (o Pequeno Maléfico) está na Casa XII (Maléfica: doenças crônicas, problemas ocultos, isolamento, hospitais), domiciliado em Escorpião (associado ao aparelho excretor e aos órgãos sexuais). Zappa foi diagnosticado com um câncer de próstata inoperável e que esteve despercebido por dez anos. 

No mapa da Revolução Solar de 1992, Marte está novamente na Casa XII, em Câncer, em mútua recepção com a Lua em Escorpião na Casa IV. Os benéficos estão enfraquecidos (Roda da Fortuna e Júpiter na cadente Casa III, em Libra) e afligidos por maléficos (quadratura com Marte e trígono com Saturno; Vênus na forte Casa VII, em Aquário, mas disposta por Saturno e conjunto a ele). Saturno está fortíssimo (Casa VII, angular, e domiciliado em Aquário) e oposto ao Ascendente (saúde e corpo físico). Z também estava na Triplicidade do Sol (28 a 56 anos) de Casa I, disposto por Júpiter (Casa VI, retrógrado, peregrino); Firdária de Vênus (Casa I, peregrina, regente da Casas VI e em mútua recepção com Júpiter) e sub-firdária da Lua (regente da Casa VIII, a Casa da Morte); profecção da Casa V em Áries, regida por Marte em Escorpião na Casa XII. Ou seja, as indicações não eram muito boas para a saúde.

Depois de muitos anos na estrada (e na batalha), Zappa foi reconhecido como um gênio, criativo e inovador, e justamente por isso, nem sempre compreendido e nem com tanto sucesso financeiro que outros artistas alcançaram, mas que definitivamente representa o espírito do inconformismo que levou ao surgimento do Rock'N'Roll.

Encerramos este post com Bobby Brown (https://www.youtube.com/watch?v=ZUq_T_Bhau8), uma de suas músicas mais famosas.

Gratidão pela companhia, e até a próxima análise astrológica!
Cao (Claudinèi Dìas)